Me embriaguei de expectativas e a ressaca foi solidão

Um dia desses na mesa de um bar conheci um cara. Ele tinha os cabelos ondulados, era bem escuro e havia um comprimento considerável, quase batia aos ombros, se não fosse suas costas largas e seus braços fortes ele seria facilmente confundido com uma mulher. Porém, ele possui uma barba bem cheia, sardas por todo o rosto, um piercing no septo e quando sorri seus olhos desaparecem. Suas sobrancelhas são impecáveis, como se tivessem sido esculpidas a mão. E seu olhar é penetrante, fala olhando nos olhos e possui uma mania irritante de ficar deslizando os dedos nos cabelos levando-os para trás a cada sorriso. Seus dentes são um pouco amarelados – eu acredito que ele seja fumante -, mas ao fingir que ia ao banheiro eu me esbarrei nele e não havia cheiro de cigarros. Seu cheiro é de um perfume amadeirado que já havia sentido antes mas não me lembro em quem.

Seu peito é peludo, não que eu estava observando-o demais mas ao tirar o suéter a camisa debaixo subiu e pude ver os pelos em seu abdômen. Sua calça jeans estava sem cinto e pude ver sua cueca branca também. Ele estava usando um sapato social, parecia algum doutor, algum advogado, eu posso estar enganada mas esse cara é o amor da minha vida, pensei. Quando voltei a mesa ele estava sentado ao lado da minha cadeira conversando com o meu melhor amigo e na hora meu coração gelou e cogitei “Será que ele está perguntando meu nome para ele? Ou melhor, perguntando se estou solteira? Ou se ele pode passar meu telefone?” Na hora senti um frio na barriga. Eu parei no bar por uns instantes e pedi um copo de vodka, perguntei ao garçom se estava tudo certo com o meu batão e o babaca pensou que eu estava dando mole a ele.

Quando cheguei na mesa e coloquei meu drink sobre o porta corpos dei um sorriso para ele e meu amigo, ele se levantou e me cumprimentou. Na hora eu fiquei gélida e cheguei há conclusão de que enfim eu iria encontrar alguém, – alguém que preenchia os meus requisitos. – Mas aí nos sentamos e meu amigo o apresentou para mim. Seu nome é Francisco, mas eu podia chama-lo de Chico porque é assim que os amigos dele o chamavam, segundo ele. De repente minha boca ficou seca, cruzei as pernas e respirei fundo novamente, pedi para o garçom que ele me trouxesse mais um copo com vodka e tomei dois goles da bebida. Do nada senti tudo parar, fiquei paralisada por uns instantes e em câmera lenta pude ouvir as palavras saindo de sua boca; Francisco era seu novo namorado, e depois de cinco copos de vodka percebi o que estava errado: eu deveria ter pego tequila.

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