Sobre não estar feliz

As vezes eu não estou feliz.

Isso acontece bastante, quase todo dia. Eu sento, respiro fundo, escuto a minha música e começo a pensar na minha vida. Penso no meu trabalho, nos meus amigos, na minha faculdade, nos meus problemas. Ah, quantos problemas…

Mas tem todo o resto por aí. A vida é muito mais do que dor, sofrimento, tristeza e apatia. A vida é muito mais do que feliz ou triste. Eu posso não estar feliz, e isso não precisa ser ruim. Eu não estou triste porque não estou feliz.

Não estar feliz é estar consciente de que a vida não é perfeita, de que eu não sou perfeito. De que, assim como a vida, eu tenho os meus milhares defeitos, e eles me prejudicam. E que, por mais que isso soe ruim, isso na verdade é muito bom.

A felicidade dá uma ilusão de vida que a gente não tem, que ninguém tem… que não existe. E essa ilusão é boa demais. Na verdade, é necessária. Se a gente olha pro mundo sem essa máscara, dói muito. Tem coisa errada pra todo canto. A felicidade, então, é algo que nos permite viver.

Só que e a ausência dessa mesma felicidade que mostra pra gente COMO a gente tem que viver. Não, não é a tristeza. É a ausência de felicidade… é a serenidade, a calma, e a capacidade de ver as coisas como elas estão. Ver as coisas boas, sim, e agradecer por elas. Sempre. Mas também ver as coisas ruins, e entender o porquê delas estarem ruins. E, a partir daí, consertá-las.

Acontece que, quando a gente se liga disso, a gente fica muito triste. Fica porque a gente passou tempo demais achando que tava tudo lindo, funcionando e andando pra onde tem que ir. E aí, de repente, a gente entende que não. Que tem muita coisa que tá errada com a gente, com os outros e com o mundo. E essa realidade bate forte.

Fiquei, sim, triste. Por muito tempo. Fiquei mal, deprimido, sem vontade de fazer nada. Só que isso me ensinou que se eu ficar assim, eu só vou ficar assim… e que as coisas só mudam quando a gente muda elas.

Já mudei bastante. Olhando pra trás, eu sei que eu melhorei muito do que eu era. Consertei muitos erros, mas no processo criei alguns outros. E é assim que a vida anda, errando e acertando. Com um pouco de trabalho, boa companhia e pensamento positivo, mais acertando do que errando.

Sei que tenho muitas coisas erradas em mim. E que muitas dessas coisas surgiram há pouco… mas elas são passageiras. Elas são ferramentas, para que eu consiga consertar aquilo que tá mais quebrado em mim. A hora que estiver inteiro, se algum dia estiver, com sorte esses problemas já não estarão mais lá.

E se estiverem, a gente fica um pouco pensando, e começa a resolver. Um passo de cada vez.

(Texto de Andre Guedes da Costa, 21 anos, estudante de jornalismo, passa o tempo buscando respostas absurdas para perguntas óbvias.)

 

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