Quando encontrei o amor num copo de café

“Oi” – disse ele.

“Olá” – eu respondi. Por dentro era como se eu estivesse em uma montanha-russa com toda a velocidade do mundo. Acho que estou apaixonado – penso.

Tudo começou com um simples “Oi”, e antes mesmo dele terminar eu já estava totalmente encantado. Eu não sei explicar. Meus amigos dizem que sou um cara carente. No fundo acho que eles estão certas, nada explica essa paixão instantânea.

“Posso me sentar?”, ele sorriu de canto, e eu cai da cadeira. Mentira. Eu sorri de volta é claro, não queria parecer idiota.

“Claro que pode, meu amigo estava vindo me encontrar mas acho que ele não irá se importar.” Droga, o que foi que eu fiz? Agora ele vai achar que eu não quero que ele se sente comigo.

“Você é meio estranho. Gosto disso. Há dias que eu estou te observando nos corredores da faculdade”, ele falou sorrindo.

“Nossa, que bacana, eu não sou invisível, ele me notou que felicidade.” Falo para mim mesmo – meu estômago está embrulhando mas de um jeito bom, eu quero agarrar ele e beijá-lo nesse instante. “Ah, que legal, eu não sabia que você estudava aqui, nunca te vejo” – olhei para ele e sorri. Quem eu quero enganar? Eu falo dele o dia todo, meus amigos não aguentam mais.

“Posso te pagar um café? Como você se chama?” ele perguntou.

“Meu nome é Francisco, mas pode me chamar de Chico, é assim que meus amigos me chamam” – mordo os lábios e junto as pernas. Começo a me acalmar, respiro fundo e deixo fluir. É difícil se concentrar com um garoto simpático de 1,78, moreno, cabelo de anjinho e com uma barba que meu Deus, é linda, toda no lugar e aparada.

“Meu nome é Ricardo, eu curso direito no bloco B, faço manhã mas reprovei e estou repondo a noite” – ele se ajeita na cadeira, mas logo se levanta para pegar o café, acho que por alguns instantes ele havia se esquecido do convite que me fez.

Fiquei admirando-o enquanto ele voltava com os dois copos de café nas mãos, seus dedos eram lindos e delicados. Creio que ele fumava pois senti um leve cheiro de tabaco que vinha de suas mãos enquanto ele me entregou o copo. Senti sua pele na minha, suas mãos quentes e então com a mão direita ele levou meus cabelos para trás.

“Você é tão lindo” – ele disse enquanto se sentava.

“Obrigado” – respondo corado.

Terminamos de tomar o café e agora estamos os dois levantados um olhando para o outro, já era hora de subir. Estávamos atrasados, mas não queria ir. Se eu pudesse eu ficaria deitada no colo dele o dia todo conversando.

“Topa tomar café comigo amanhã de novo?” – ele colocou as duas mãos no bolso e se ajeitou em pé; ele fazia muito isso.

“Aceito sim, pode ser aqui às 21:35?”

“Claro, pode sim” – ele disse se aproximando. Segurou minhas mãos e consegui sentir o cheiro do café em sua boca. Seus lábios tocaram minhas bochechas e me derreti por dentro. Sorri e o abracei instantaneamente como se ele fosse um urso, fechando os olhos e sentindo todo o corpo dele no meu.

“Então está bem, obrigada pelo café, Ricardo, você é muito gentil” – peguei minha mochila e saí deixando-o ali. Olhei para trás diversas vezes para me certificar de que ele era real e que não iria sumir. Ele continuou me olhando e acenou com um tchau. Continuei andando e virei para esquerda e entrei no meu bloco. Naquele instante eu soube que eu tinha mais um motivo para vir à faculdade. Fazia tempo que não me sentia assim.

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