Acreditei que éramos plural, descobri que você é singular

Ontem eu acordei de madrugada e me sentei no sofá. A sacada estava aberta e havia uma brisa bem gostosa transpassando as cortinas, que se movimentavam feito ondas do mar. Com um copo de água gelada na mão fui para a sacada deslumbrar de perto toda aquela cidade até aonde minhas vistas conseguiam ver. Acabei por acender um cigarro e me sentar no puff. Aconcheguei meus pés nas grades da sacada que estavam um pouco gelados, e entre um gole de água e um trago no cigarro pensava em nós. Sim, em nós. Enfim eu enxergava que éramos plural e não singular, que éramos verbos, adjetivos, substantivos e tantos outros “ivos” que existem no na nossa regra linguística. Você de fato é meu fardo, o fardo que eu quero levar para sempre comigo.

Com o passar do tempo você se tornou a mais bela poesia. Uma poesia na qual nunca entendi muito bem, mas tudo bem, uma vez um amigo me disse que a poesia não é para ser entendida e sim sentida, e faz sentido, pois quando estava contigo o que eu mais adorava era sentir você. Sentir sua pele na minha, os pelos dos teus braços, tua barba passando pelo meu pescoço, o toque de suas mãos dedilhando a lateral da minha barriga, seus lábios tocando os meus, tuas pernas se entrelaçando com a minha. Quando ficávamos na cama eu sentia como se nós nos transformássemos na mais bela música, com o melhor arranjo, com a mais perfeita melodia.

Em cada cômodo desse apartamento há um pouco de você. Algum objeto, um livro fora do lugar. Eu consigo traçar seus passos, eu consigo sentir seu cheiro, mesmo que você não esteja aqui. Se eu fecho os meus olhos eu ouço sua voz no meu ouvido falando bem baixinho que me ama, e essa é a melhor brisa que alguém pode ter. Falando nisso, eu gostaria que você soubesse que eu enfim parei de usar drogas e que não passo a maior parte dos meus dias fumando maconha. Só tenho duas drogas na minha vida: você e meus cigarros, duas coisas que nunca imaginei ficar sem. E agora que você se foi eu  comecei a aceitar que o para sempre, sempre acaba, e que nem todo vício é ruim, porque eu amei me viciar em você e agora percebo o que o meu maior prazer era ter você.

Eu entendo o fato de você me achar um merda, zero esquerda que não merece de forma alguma ser feliz ao seu lado. Eu sei também que você não me traiu por querer com meu melhor amigo e hoje eu consegui entender que você estava certa o tempo todo. Eu nunca fui feliz, você estava certa. Eu usava uma máscara que infelizmente caiu e fez você ver como eu realmente era. Sorte? Não sei, talvez para você. Eu mereci tudo de ruim que você me fez, porque é correto trair o namorado, mentir que vai ficar com a mãe doente em outra cidade e viajar para o Chile com meu melhor amigo. Essa é de fato a melhor forma de se viver, jogar toda culpa e responsabilidade em cima de outra pessoa.

E hoje, sentado nesse puff, olhando para esse céu às 3h da manhã, eu entendi duas coisas: que o barulho da cidade diminui, fica fraco, nas madrugas, e só é possível ouvir gatos e barulho de carros lá longe, e isso reflete no que eu sinto por você: um vazio, um silêncio, um sorriso esvaído. Você de fato tirou tudo de mim, inclusive minha sanidade. E agora, nessa solidão, acompanhado do meu cigarro, das estrelas e dos meus pensamentos sórdidos que você foi a pessoa mais infeliz que entrou em minha vida, e é a pessoa que mais amei também, e isso dói.

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