Gays afeminados também merecem respeito e amor

Eles são tão fáceis de se encontrar. É só andar pelas ruas, shoppings, baladas e até no seu facebook para encontrá-los. Os gays afeminados. Sim, eles existem, sim, eles se aceitam, sim, assim como os gays hetéros normativos ou qualquer outra pessoa independente do gênero também possui sentimentos e quer ser amado do jeito que é.
 
É de se indignar ao ver como os gays afeminados são julgados o tempo todo. Como se não bastassem serem chicoteados pela língua perversa da sociedade em lugares públicos, esses caras ainda sofrem preconceito dentro do meio gay, e não sei dizer se isso é dolorido, ridículo ou totalmente sem nexo. Não há só uma definição linguística para algo tão sem sentido quanto o preconceito dos gays contra os próprios gays.
 
Isso engloba não só o afeminado, mas o gay negro, o gay pobre, o gay gordo, o gay magro demais. Rótulos e mais rótulos que só transferem desigualdade. Conflitos internos e pressões que podem se transformar em doenças graves como depressão. O gay afeminado só quer ser aceito, amado, respeitado e ser tratado como a pessoa normal que ele é.
 
Eu não entendo a necessidade do gay heternormativo desmerecer esses caras como se eles fossem menos dignos. Como se eles não possuíssem qualificações para serem gays como eles, se tornando então seres inferiores. É como se o “universo gay” fosse divido em “castas” e os afeminados estivessem no último patamar. E isso é muito limitado. Triste. Sujo. As divisões estão cada vez mais nítidas e frequentes, e ao invés do movimento diminuir ele ganha força a cada dia que passa. Regresso.
Nos aplicativos de paquera, por exemplo, quase 80% dos usuários possuem a frase “não sou e não curto afeminados” embutidos em suas bios, e quando não, a primeira coisa que perguntam no início de um diálogo é se o cara é afeminado, pois ele “não tem nada contra”, mas ele não sente atração. Como se ser afeminado fosse ruim ou errado. Eu nunca vou entender quem criou essa divisão, mas eu posso lhe dizer uma coisa: eu desejo todo amor do mundo para os afeminados e digo mais, eles carregam uma legião de gays enrustidos que estão atrás de um personagem inventado em suas cabeças para não encarar a realidade, e a culpa não é do afeminado se você ainda não se sente seguro para se assumir.
 
Ninguém é obrigado a se relacionar com alguém que não possui afinidades estéticas ou personalidade, porém, o respeito, que por sinal não é mútuo, deveria surgir de todos os “tipos de gays” se é que existe tipos. Para mim, gay é gay, não existe essa de classificação do mais gay ao menos gay, existe personalidade. E isso não é possível de ser medido, avaliado com precisão a nível de julgamento, a ponto de determinar que um cara por ser gay com trejeitos de mulher se torne a escória de uma sociedade imoral ou não. 
 
É preciso ser muito seguro de si para passar uma maquiagem no rosto, colocar um shorts curtos, brincos, um cropped ou até mesmo um salto alto e sair pelas ruas dando a cara a tapa, para que vários outros gays que ainda não se assumiram, ou aqueles que namoram mulheres para disfarçar para os pais, os casados que até possuem filhos, poderem ser livres dentro de boates e se pegar no escuro dentro de um carro. São esses afeminados, que diferente de muitos, já passaram pela fase da aceitação e que entenderam que para ser feliz é preciso muito mais que um blush, uma make completa, ou um camisa pólo, uma calça jeans e um sapatênis, que antes de qualquer coisa é preciso ter amor próprio, é se sentir bem com você mesmo e sustentar com dignidade quem você é. Com isso, eu não quero dizer que ser heteronormativo é errado, ou que ser enrustido é coisa de homem fraco. Acredito que devemos respeitar todos igualmente, mas vejo que muito mais que isso os afeminados são tratados muitas vezes como lixo. Sendo que para a sociedade todos estamos no mesmo saco de lixo amarrados que deveria queimar ou apodrecer em algum aterro sanitário longe de seus filhos.
 
Ser gay não é motivo de orgulho. Somos gays e ponto. Ser quem você é e o que se tornou ao passar dos anos é o que realmente deveria importar.
E entender que dar pinta é possível, é necessário e que ninguém tem nada a ver com isso é ainda melhor. Mais amor e respeito é que o desejo para nós.
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2 comentários em “Gays afeminados também merecem respeito e amor

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